O roteiro de migração para a AWS, do planejamento ao go-live
As seis fases de uma migração, as sete estratégias possíveis e o que costuma dar errado em cada uma. Escrito por quem executa migração na AWS.
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Índice do guia
- Por que migrar para a AWS
- Os 7 Rs da migração
- Planejamento e assessment
- Execução da migração
- Otimização pós-migração
- Checklist Final de Migração
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Preencha seus dados para desbloquear os 5 capítulos restantes, incluindo os 7 Rs, ferramentas de migração, execução passo a passo e o checklist final.
Os 7 Rs da migração
A AWS define sete estratégias de migração, conhecidas como os "7 Rs". Cada workload do seu portfolio deve ser avaliado individualmente para determinar qual estratégia oferece o melhor equilibrio entre custo, risco e benefício. Na prática, um projeto de migração típico utiliza uma combinação de várias dessas estratégias.
1. Rehost (Lift-and-Shift)
Consiste em mover servidores e aplicações para a AWS sem modificações significativas. É a estratégia mais rápida e de menor risco, ideal para a primeira fase de migração. Ferramentas como o AWS Transform MGN (antigo AWS Application Migration Service) automatizam grande parte do processo, replicando servidores inteiros para a nuvem com downtime mínimo. Rehost é recomendado para aplicações legadas que precisam sair do datacenter rapidamente, com otimização planejada para uma segunda fase.
2. Replatform (Lift-Tinker-and-Shift)
Envolve migrar com pequenas otimizações para aproveitar serviços gerenciados, sem refatorar o código da aplicação. Exemplos clássicos incluem: migrar um banco MySQL on-premises para Amazon RDS (ganhando backups automáticos, réplicas de leitura e Multi-AZ), ou mover uma aplicação de VMs para Amazon ECS com containers. O replatform oferece ganhos rápidos de operação e custo com risco moderado.
3. Refactor / Re-architect
A aplicação e redesenhada para aproveitar recursos nativos da nuvem. É a estratégia com maior potencial de benefícios (escalabilidade, custo, performance), mas também a que exige mais tempo e investimento. Exemplos incluem decompor um monolito em microsserviços com ECS/EKS, adotar arquitetura serverless com Lambda e API Gateway, ou migrar para banco NoSQL com DynamoDB. Reserve o refactor para aplicações estratégicas que justifiquem o investimento.
4. Repurchase (Drop and Shop)
Consiste em substituir a aplicação atual por uma solução SaaS ou produto do AWS Marketplace. Exemplos comuns: trocar um servidor de e-mail Exchange por Amazon WorkMail, substituir um CRM on-premises por Salesforce, ou migrar um ERP legado para uma solução cloud-native. Avalie o TCO em 3 anos é o custo de integração antes de decidir.
5. Retire (Descomissionar)
Identifique aplicações e servidores que não são mais necessários. Em nossa experiência, entre 10% e 20% dos servidores de um datacenter típico podem ser descomissionados durante o assessment de migração. Servidores de testes antigos, aplicações substituidas e ambientes duplicados são candidatos comuns.
6. Retain (Manter)
Algumas aplicações podem não ser candidatas a migração no momento, seja por restrições regulatórias, dependências de hardware específico ou complexidade técnica. A estratégia Retain significa manter o workload on-premises por enquanto, com plano de revisão futura. Aplique-a para mainframes, sistemas com requisitos de latência ultra-baixa ou aplicações próximo ao fim de vida.
7. Relocate (VMware Cloud on AWS)
Para empresas com investimento significativo em VMware, o VMware Cloud on AWS permite mover VMs usando vMotion sem converter o formato. Isso preserva os processos operacionais existentes e permite uma transição gradual. E uma opção especialmente relevante para empresas que precisam evacuar datacenters com prazo apertado.
Dica prática: Comece classificando cada workload em uma planilha com colunas: nome da aplicação, estratégia recomendada (R), complexidade (alta/média/baixa), prioridade e dependências. Isso cria o portfolio de migração, que será a base de todo o planejamento.
Planejamento e assessment
O planejamento é a fase mais crítica de qualquer projeto de migração. Erros nesta etapa se multiplicam durante a execução, gerando atrasos, custos extras e riscos desnecessários. Um bom assessment cobre três pilares: discovery (inventário), análise de TCO e plano de migração.
Discovery: mapeando seu ambiente atual
O primeiro passo é criar um inventário completo da infraestrutura existente. O AWS Transform faz a descoberta sem agente, coleta inventário e utilização e mapeia dependências de rede; o AWS Application Discovery Service e o AWS Migration Hub estão fechados a novos clientes desde 07/11/2025 (aviso oficial da AWS) e não entram em projeto novo.
Colete dados por pelo menos 2 a 4 semanas. Isso fornece métricas de CPU, memória, disco e rede em condições reais de uso, incluindo picos e períodos de baixa. Os dados ficam no AWS Transform, que monta o mapa de dependências e o plano de ondas; para o business case de custo e licença, use o Migration Evaluator.
Análise de TCO (Total Cost of Ownership)
Uma análise de TCO honesta compara o custo real do datacenter atual com o custo projetado na AWS. Para o cenário on-premises, inclua todos os custos diretos e indiretos: servidores, storage, networking, licenças de software, energia elétrica, refrigeração, espaco físico, seguros, equipe de operações e custo de capital. Muitas empresas subestimam esses custos em 40% a 60%.
Para o cenário AWS, use a AWS Pricing Calculator com os dados do discovery. Considere o uso de Reserved Instances ou Savings Plans para workloads estáveis (economia de até 72%), Spot Instances para cargas tolerantes a interrupção (economia de até 90%) e serviços gerenciados que reduzem o esforco operacional.
Plano de migração: waves e dependências
Divida a migração em waves (ondas), agrupando workloads por dependência, criticidade e complexidade. A primeira wave deve conter aplicações de baixa criticidade e poucas dependências, servindo como piloto para validar processos e ferramentas. Waves subsequentes aumentam gradualmente a complexidade.
Para cada wave, defina: critérios de sucesso (métricas de performance, disponibilidade), plano de rollback, janela de cutover, equipes responsáveis e comunicação. Documente tudo no plano de ondas do AWS Transform para visibilidade centralizada.
Dica prática: Reserve 20% a 30% do cronograma total para o assessment e planejamento. Projetos que pulam essa fase costumam pagar em retrabalho durante a execução. Na RFX, em 30 minutos um arquiteto AWS cobre os principais pontos dessa fase, e o Assessment AWS devolve o mapa escrito em até 5 dias úteis.
Execução da migração
Com o planejamento finalizado, é hora de executar. A fase de execução envolve configurar a infraestrutura de destino na AWS (landing zone), preparar as ferramentas de migração, executar as waves e validar cada workload migrado.
Landing zone: a fundação na AWS
Antes de migrar o primeiro servidor, configure uma landing zone segura e bem-arquitetada. Use o AWS Control Tower para criar uma estrutura multi-account com guardrails de segurança e compliance. Uma landing zone típica inclui: conta de gerenciamento (Organizations), conta de log centralizado (CloudTrail, Config), conta de segurança (GuardDuty, Security Hub), conta de rede compartilhada (Transit Gateway, VPN/Direct Connect) e contas de workload separadas por ambiente (dev, staging, prod).
AWS Transform MGN (antigo AWS Application Migration Service)
O AWS Transform MGN é a ferramenta recomendada para rehost de servidores. Ele instala um agente leve no servidor de origem que replica dados continuamente para a AWS. O processo funciona assim:
- Instale o agente de replicação no servidor de origem
- O MGN replica o disco inteiro para a AWS em segundo plano (replicação inicial)
- Após a sincronização inicial, mudanças incrementais são replicadas em tempo quase real
- Execute testes de launch para validar que o servidor funciona na AWS
- No dia do cutover, faca o launch final e redirecione o tráfego
A janela de corte depende da validação da aplicação e da troca de DNS, e é medida no teste de corte (dry run) antes da virada. Para servidores Linux e Windows, o MGN lida automaticamente com a conversão de drivers e bootloader.
AWS Database Migration Service (DMS)
Para bancos de dados, o AWS DMS suporta migração homogenea (ex: MySQL para RDS MySQL) e heterogenea (ex: Oracle para PostgreSQL). Em migrações heterogeneas, use o AWS Schema Conversion Tool (SCT) primeiro para converter o schema, stored procedures e funções. O DMS suporta replicação contínua (CDC - Change Data Capture), permitindo manter origem e destino sincronizados até o momento do cutover.
# Criar uma replication instance do DMS
aws dms create-replication-instance \
--replication-instance-identifier minha-migração \
--replication-instance-class dms.r5.large \
--allocated-storage 100 \
--region sa-east-1
# Verificar status da tarefa de migração
aws dms describe-replication-tasks \
--filters Name=replication-instance-arn,Values=arn:aws:dms:sa-east-1:123456789012:rep:EXAMPLE
Fases de teste e validação
Cada wave de migração deve passar por três fases de teste:
- Teste funcional: valide que a aplicação funciona corretamente na AWS. Execute os mesmos testes que são usados em releases normais.
- Teste de performance: compare métricas de latência, throughput e tempo de resposta entre o ambiente original é o AWS. Use ferramentas como Apache JMeter ou Locust para carga simulada.
- Teste de cutover (dry run): simule todo o processo de cutover, incluindo mudança de DNS, verificação de conectividade e validação de integridade de dados. Cronometre cada passo para estimar a janela de downtime real.
Dica prática: Sempre tenha um plano de rollback documentado e testado. Para servidores migrados com MGN, manter o agente de replicação ativo por 1 a 2 semanas após o cutover permite reverter rapidamente se necessário. Para bancos migrados com DMS, mantenha a replicação reversa ativa até a validação completa.
Otimização pós-migração
A migração não termina no go-live. A fase de otimização pós-migração e onde você captura o verdadeiro valor da nuvem. Nos primeiros 90 dias após a migração, concentre-se em três areas: FinOps, observabilidade e segurança.
FinOps: otimização contínua de custos
Logo após a migração, e normal que os custos AWS fiquem acima do estimado. Isso acontece porque servidores migrados via rehost mantêm o mesmo dimensionamento do on-premises. Implemente um ciclo de FinOps com as seguintes ações:
- Rightsizing: use o AWS Compute Optimizer para identificar instâncias superdimensionadas. Após 2 semanas de métricas, ajuste os tipos de instância para o tamanho adequado.
- Savings Plans: para workloads estáveis já validados, adquira Compute Savings Plans com compromisso de 1 ano. Economia média de 30% a 40%.
- Spot Instances: mova workloads tolerantes a interrupção (batch, CI/CD, dev/test) para Spot. Economia de até 90%.
- Tags de custo: implemente uma política rigorosa de cost allocation tags (projeto, equipe, ambiente, centro de custo) para visibilidade granular dos gastos.
- Budget alerts: configure AWS Budgets com alertas em 50%, 80% e 100% do orçamento previsto.
Observabilidade e monitoramento
Migrar para a AWS exige uma mudança na abordagem de monitoramento. Em vez de monitorar apenas infraestrutura, adote observabilidade completa com os três pilares: métricas, logs e traces.
- Amazon CloudWatch: configure dashboards customizados, alarmes para métricas críticas (CPU, memória, disco, latência) e Container Insights para workloads containerizados.
- AWS X-Ray: implemente tracing distribuido para mapear o fluxo de requisições entre microsserviços e identificar gargalos de performance.
- CloudWatch Logs Insights: centralize logs de todas as aplicações e crie queries para detectar erros e anomalias em tempo real.
Security hardening
Após a migração, revise a postura de segurança com base no AWS Well-Architected Framework (pilar de segurança). Ações prioritárias:
- Habilite AWS GuardDuty em todas as contas para detecção de ameaças
- Configure AWS Security Hub com os padroes CIS AWS Foundations Benchmark
- Implemente IAM Access Analyzer para identificar permissões excessivas
- Ative AWS Config Rules para compliance automatizado e detecção de desvios
- Revise Security Groups e NACLs, removendo regras excessivamente permissivas (0.0.0.0/0)
- Habilite criptografia em repouso (KMS) e em trânsito (TLS) para todos os dados sensíveis
Dica prática: Agende um AWS Well-Architected Review 90 dias após a migração. Na RFX, realizamos essa revisão como parte do nosso serviço de migração e arquitetura AWS, identificando oportunidades de melhoria nos seis pilares: excelência operacional, segurança, confiabilidade, eficiência de performance, otimização de custos e sustentabilidade.
Checklist final de migração
Use este checklist como referência durante todo o projeto de migração. Cada item representa uma ação concreta que contribui para o sucesso da iniciativa.
Pre-migração
- Executar descoberta completa com AWS Transform (sem agente)
- Classificar cada workload com uma das 7 estratégias de migração (7 Rs)
- Calcular TCO comparativo (on-premises vs. AWS) incluindo custos indiretos
- Definir waves de migração com prioridades, dependências e cronograma
- Configurar landing zone com AWS Control Tower e estrutura multi-account
- Estabelecer conectividade híbrida (VPN Site-to-Site ou AWS Direct Connect)
- Definir estratégia de DNS e plano de cutover para cada wave
- Treinar equipe nas ferramentas de migração (MGN, DMS, SCT)
Durante a migração
- Instalar agentes de replicação (MGN) e validar sincronização inicial
- Configurar endpoints de DMS e iniciar replicação de bancos de dados
- Executar testes funcionais em cada workload migrado
- Realizar testes de performance comparativos (antes vs. depois)
- Executar dry run de cutover com cronometragem de cada etapa
- Documentar e testar plano de rollback para cada wave
- Comunicar janela de cutover para stakeholders e usuários
Pós-migração
- Monitorar métricas de performance por 72 horas após cada cutover
- Executar rightsizing com AWS Compute Optimizer (após 2 semanas de dados)
- Implementar cost allocation tags em todos os recursos
- Configurar AWS Budgets e alertas de custo
- Habilitar GuardDuty, Security Hub e Config em todas as contas
- Adquirir Savings Plans para workloads estáveis validados
- Well-Architected Review 90 dias depois do corte
- Descomissionar infraestrutura on-premises após período de validação
Dica prática: Imprima este checklist e use-o como ferramenta de acompanhamento do projeto. Marque cada item conforme for concluido e revise semanalmente com a equipe de migração. Para um assessment personalizado do seu ambiente, solicite aqui.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre migração para AWS
O tempo varia conforme a complexidade. Migrações simples com rehost de 10 a 20 servidores podem ser concluídas em 4 a 8 semanas. Projetos maiores com 100+ servidores e necessidade de refatoração podem levar de 6 a 18 meses. O assessment inicial é essencial para definir um cronograma realista.
O custo depende do volume de workloads, da estratégia de migração escolhida (rehost, replatform ou refactor) e do nível de automação. A AWS oferece créditos pelo Migration Acceleration Program (MAP), sujeitos a aprovação da AWS. O retorno vem da redução de custo operacional e do ganho de agilidade, e é dimensionado no business case de cada projeto.
Os 7 Rs são as estratégias de migração: Rehost (lift-and-shift), Replatform (lift-tinker-and-shift), Refactor (re-architect), Repurchase (substituir por SaaS), Retire (descomissionar), Retain (manter on-premises) e Relocate (mover para VMware Cloud on AWS). Cada workload deve ser avaliado individualmente para determinar a estratégia adequada.
A AWS oferece diversas ferramentas nativas: AWS Transform para descoberta, avaliação e plano de ondas, Migration Evaluator para o business case, AWS Transform MGN (antigo AWS Application Migration Service) para rehost de servidores, AWS Database Migration Service (DMS) para migração de bancos de dados e AWS Schema Conversion Tool (SCT) para conversão de schemas.
Na maioria dos casos, não. Ferramentas como o AWS Transform MGN realizam replicação contínua, permitindo uma virada em janela curta e planejada, medida no teste de corte. Para bancos de dados, o AWS DMS suporta replicação em tempo real, minimizando o downtime. O planejamento adequado de waves e testes de cutover garantem uma transição com impacto mínimo.
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Para decidir a estratégia antes do roteiro, leia como decidir a migração para a AWS, e veja sete exemplos de escopo de migração no catálogo de projetos.